quarta-feira, 23 de junho de 2010

King Crimson - Red

Sem sombra de dúvida, o King Crimson é uma das maiores bandas de Rock Progressivo de todos os tempos. Apesar de ter passado diversas mudanças de formação ao longo dos anos, a banda sempre consegui bastante destaque e uma grande legião de fãs. A banda, liderada sempre por Robert Fripp, lançou diversas jóias durante a sua longa carreira, como In the Court of the Crimson King (1969), Larks’ Tongues In Aspic (1973) e Red(1975), sendo esta resenha a respeito do último.


Após o longo tour que o Crimso fez, devido a problemas internos, o grande violinista David Cross deixou a banda, que reduzia-se agora a um power trio, com Fripp na guitarra, John Wetton no baixo e Bill Bruford na bateria, contando com várias participações. Talvez agora perdendo o “elemento sinfônico” que possuíam até então, a banda investiu de vez no som pesado que já estava sendo bastante trabalhado pela banda. E de fato, Red é o trabalho mais pesado da era clássica do King Crimson, mas com certeza é uma obra-prima.


Abrindo com a furiosa Red, já podemos ter uma visão do que se seguirá. Guitarra e baixo pesados e distorcidos sobre uma bateria técnica e rítmica. As transições de cada riff pro outro são muito boas. Esta canção possui inclusive uma passagem de violoncelos. Abertura genial e raivosa!


Fallen Angel segue, e é a primeira faixa com vocais. Começando com um sombrio acorde de synth, que é seguido por um solinho na guitarra, e a canção assume a forma de uma balada, com mellotron e uma bateria simples, mas com a guitarra de Fripp e um oboé fazendo enfeites. Após algumas repetições a canção entra no assombroso refrão, com um belo riff de guitarra e o baixo poderoso de Wetton, junto com seus vocais característicos, e um sax. Após efeitos de guitarra climáticos de Fripp junto ao solo de sax, temos um curto solo de guitarra que leva de novo as estrofes, após ao refrão novamente, e a um final instrumental que continua a tensão e a amargura do refrão. Esta canção é bastante emocional e dramática, mas é magnífica.


Um riff pesado (novidade!) , mais tarde seguido por uma bateria incrível abre One more red Nightmare. Esse riff intercala-se a estrofe, com Wetton cantando junto com seu baixo distorcido e palmas processadas eletronicamente (não me pergunte por que). A passagem que começa aos 2:08 é a minha preferida, um belo dedilhado na guitarra, mais tarde unido por outra guitarra, baixo, bateria e as palmas, e mais tarde ainda, um ótimo solo de sax. Voltamos ao riff inicial e a mais uma estrofe, e a magnífica seção instrumental é reprisada, com outro excelente solo de sax.


Providence é uma improvisação. Não há nada de muito especial na música. Os 5 primeiros minutos são barulhos irritantes e aleatórios feitos pelos caras. Depois a coisa toma um pouco mais de forma, com um solo de baixo, que é a única coisa legal da canção. Ela termina com um solo irritante de violino. É a mais fraca do disco.


A última canção, a suíte de 12 minutos Starless, é a Magnum Opus do disco, e junto com In the Court of the Crimson King é a melhor canção do King Crimson (não consigo decidir entre as duas). A primeira parte é uma linda progressão no mellotron, e uma triste melodia na guitarra, com baixo e bateria calmos no fundo, e mais tarde Wetton cantando. Seção muito bonita, com um triste saxofone soprano tocando junto a Wetton.Podemos ter a impressão que essa será a única música calma do disco, mas há mais por vir. Após 4 minutos da beleza indescritível da primeira parte vamos a segunda.


A segunda parte é baseada numa linha de baixo atonal de Wetton, que torna-se cada vez mais pesada. O mesmo vale pra bateria, que começa fazendo pequenas viradas na percussão e torna-se cada vez mais forte também. O que mantém o build-up tão interessante é a guitarra: ela mantém-se tocando apenas uma nota, que dá um tom de tensão enorme a essa parte. O crescendo continua, continua e aí então tudo explode.


A parte 3 começa com um solo de sax muito bom, sobre uma explosiva base rítmica de guitarra e baixo distorcidos e bateria tribal. Mas o clímax da música se dá aos 11:19, com uma interpretação muito mais intensa da melodia da primeira parte: mellotron fúnebre, baixo potente, bateria intensa e sax lindamente triste.


Álbum incrível, magnífico, explêndido, onde adjetivos não são o suficiente para expressar toda a classe, técnica, fúria e sentimento dos músicos. 10/10.


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