quinta-feira, 18 de março de 2010

Marillion - Script for a Jester's Tear

Formado em 1979, o Marillion é uma das mais criativas e originais bandas dos anos 80. Um dos expoentes do chamado Rock Neo-Progressivo, a formação original da banda conta com Steve Rothery, Mark Kelly, Mick Pointer, Pete Trewavas e o vocalista Fish. A primeira fase da banda é conhecida pela forte influência da banda inglesa Genesis, principalmente os vocais de Fish, que lembram fortemente os do vocalista original do Genesis, Peter Gabriel.

O seu primeiro álbum, Script for a Jester's Tear, é uma obra magnífica: letras densas e poéticas cantadas por vocais dramáticos incrustadas em excelentes instrumentais, com muita guitarra e teclado e uma ótima base rítmica.

A faixa Título. Uma das mais lindas e densas canções de toda a história. Uma letra magnífica. Uma sonoridade catártica. Da simples introdução contando somente com piano e os vocais, mais tarde aumentada por órgãos mais tarde, singelamente a canção vai aumentando. Destaque para todos os instrumentos e é claro, para os belíssimos vocais do Fish. Bélissima. Curiosidade que o amor não é um tema muito citado no rock progressivo. Ouça o lindo interlúdio semi-acústico que começa aos 4:11. Os 3 minutos finais são de arrancar lágrimas. Palavras são pouco para descrever isso.

He knows you Know, a segunda faixa também é muito boa. Destaque para os backing vocais e para a bateria de Pointer. A letra fala sobre drogas. Tem riffs muito legais na guitarra e no synth. Tem uma sonoridade mais agressiva que a primeira faixa.

The Web tem bastante peso nos teclados, que soam magnificamente junto com os vocais de Fish e a bateria. Destaque para a guitarra limpa de Rothery. Novamente Fish canta com sua alma. A transição entre as seções mais agressivas e mais melódicas é perfeita, e temos um solo muito legal de guitarra. Destaque para os 4:43. Mais tarde os vocais retornam. O riff que ouvimos no teclado aos 6:30 é fenomenal. Segue-se um Solo muito bom de teclado, e os vocais retornam novamente e finalizam a canção.

Garden Party começa com pessoas falando e pássaros. A linha de synth é ótima, destaque para o baixo pulsante de Trewavas (o mesmo baixista do Transatlantic). Os sons de pássaros voltam aqui e ali. Tem uma linha guitarra dedilhada muito legal, e depois o synth e todo o resto voltam. Mark Kelly é um ótimo tecladista.

Chelsea Monday começa com uns efeitos estranhos, e depois o baixo de Trewavas entra fazendo uma linha bem legal. O ritmo é lento e melancólico, mas ótimo. A guitarra de Hothery é muito boa, com uma certa influência de David Gilmour aqui. Canção melancólica sim, mas não deprimente. Os sons são muito bonitos e sem ser piegas, tudo está em perfeita harmonia.

Forgotten Sons abre com o que parece ser um rádio sendo sintonizado, e tem um ritmo bem "agitado". Destaque para os sintetizadores novamente. A marcação rítmica é bem interessante. Há uma passagem com uns vocais falados sobre a música que soam bem legais, destaque para a guitarra também. Tem uns vocais bem catárticos mais tarde, que lembram o The Mars Volta.

Álbum magnífico, impossível de dizer qual música é a melhor.

domingo, 7 de março de 2010

The Mars Volta - Frances The Mute


O The Mars Volta é, com certeza uma das maiores bandas que já existiram. Fazendo um som completamente diferente a partir do Rock Progressivo, essa resenha é dedicada ao seu melhor, mais caótico, mais sombrio e mais denso álbum: Frances The Mute.

Gravado em 2005, o álbum conta com a formação Bixler-irmãos López-Theodore-Gonzáles-Alderete-Owens, e muitas participações como Flea, do RHCP no trompete (!?), e o ex-RHCP John Frusciante na guitarra.

O álbum tem uma trackist muito confusa, com divisões de canções separadas por vezes em duas faixas diferentes e (o arquivo) com muitas faixas com títulos equivocados. A tracklist oficial é a seguinte:
  1. Cygnus ... Vismund Cygnus (Sarcophagi/ Umbilical Syllabes/ Fascilis Descensus Averni/ Con Safo)
  2. The Widow
  3. L'Via L'Viaquez
  4. Miranda that Ghost Just Isn't Holy Anymore (Vade Mecum / Pour Another Icepick / Piscacis (Phra-Men-Ma) / Con Safo)
  5. Cassandra Gemini: Tarantism I
  6. Cassandra Gemini: Tarantism II
  7. Cassandra Gemini: Plaint a Nail in the Navel Steam I
  8. Cassandra Gemini: Plaint a Nail in the Navel Steam II
  9. Cassandra Gemini: Faminepulse I
  10. Cassandra Gemini: Faminepulse II/ Multiple Spouse Wounds I
  11. Cassandra Gemini: Multiple Spouse wounds II
  12. Cassandra Gemini: Sarcophagi
Um bonito e distante violão abrem Cygnus, que logo após recebe os bonitos vocais de Cedric, e alguns efeitos de guitarra. Rapidamente um monstruoso e agressivo riff entra, junto com vocais que alternam em espanhol e em Inglês, tudo com a excelente base rítmica, bem groovy e técnica. Após um riff bem peculiar, o baixo se torna mais groovy, e um pequeno verso de Fascilis Descensus Averni é tocado, seguido por um longo efeito. O que se segue é quase minutos de um excelente crescendo, baseado no baixo de Alderete, a bateria simples mas efetiva de Theodore, e um bom solo de guitarra de Omar, realmente excelente. A (re)entrada dos vocais de Cedric é fenomenal, aqui ele explora seu alcance perfeitamente, que casa perfeitamente com a base rítmica. Destaque para o singelo mellotron e mais ainda para a belíssima vocalização que ele faz aos 7:36. Seguido por um assombroso riff de guitarra/baixo/bateria, e uma reprise do refrão da primeira parte, onde os vocais de Cedric brilham. Um groove muito bom aparece, que aos poucos vira uma excelente viagem psicodélica onde os sombrios sintetizadores flutuam durante 3 minutos, com direito a barulhos de carros e um pulso eletrônico muito legal. The Widow é a mais curta do álbum, e a mais comercial. Com um arranjo muito bonito de violão, baixo sem trastes, bateria e teclas, e principalmente os belíssimos vocais de Cedric. O refrão é muito lindo, com a entrada da guitarra. Arranjo bem simples, mas muito bom, com direito a trompetes, e um solo fenomenal de guitarra de Omar, mas claramente, o mais bonito da música é o vocal. Após o último refrão, a música morre, no entanto. 2 minutos e meio de barulhos sem sentido, efeitos muito irritantes de órgão e sintetizadores, que diferentemente do final de Cygnus, não merecem ser ouvidos.

L'Via começa com uma linha de bateria creio eu que gravada ao contrário. Essa canção é muito interessante, porque como Cygnus, os vocais pulam de Inglês para Espanhol. Uma canção bem groovy também com uma fortíssima influência de música latina. Os vocais de Cedric muito bons por sinal. Há passagens explicitamente latinas, com percussão, piano, e sons de guitarra que lembram mosquitos. Destaque também para o primeiro solo de guitarra, bastante explosivo, tocado por Frusciante. Embora eu não goste de música caribenha, os ritmos de salsa ficaram muito legais. Porém, nessa música há o pior solo de guitarra de todos os tempos, feito também por Frusciante, que introduz muito bem uma seção bem mais densa da música, mas bastante boa. O defeito é que o final da música é muito longo, uns 5 minutos mais ou menos, e é baseado na seção de salsa. Os vocais de Cedric ganham um ar bem sombrio com distorção. Há um solo de piano bem interessante, que leva há um solo de guitarra bem legal, com um som à la Peaches En Regalia, e outro solo de piano, e outro solo de guitarra. O finalzinho conta com os vocais de Cedric com muita distorção, ganhando um ar demoníaco, e termina com sapos (!?).

Uma longa e fantasmagórica intodução com o som de sapos caribenhos, e sintetizadores, e os vocais quase árabes de Cedric introduzem Miranda. Uma introdução muito boa, altamente psicodélica e cheia de efeitos estranhos. Destaque para a explosão sonora que ocorre aos 4:17, com o som muito bonito dos trompetes sobre uma guitarra dedilhada. Os vocais de Cedric aqui são bem delicados, onde ele explora seus timbres agudos muito bem. Detalhe que não há bateria. O refrão da canção compete com o de The Widow para o título de mais bonito. Tudo prossegue delicadamente até uma passagem com bateria eletrônica, guitarra e trompete, que leva a uma versão mais pesada e mais bela ainda do refrão.Um Mellotron simples recebe aos poucos a guitarra barrettiana de Omar e o Trompete de Flea. Atmosférica ao extremo. Após um alto ruído de estática, o groove de Con Safo (parte antes do final eletrônico de Cygnus) reaparece, mas aqui ganha um efeito bem mais assustador.

A confusão do álbum começa aqui. Em todos os sentidos. As primeiras partes de Cassandra Gemini foram tituladas como as partes finais de Miranda, porém todas as partes da última estão na mesma faixa. Ao mesmo tempo, Cassandra é provavelmente a suíte mais confusa, caótica e barulhenta do rock progressivo. Tem bons momentos, mas é bem cansativa.

A primeira parte de Tarantism começa com um vocal "bêbado" de Cedric junto com uma base rítmica confusa e barulhenta, junto com gritos orgásmicos de Cedric. Uma parte menos caótica, com "voadeiras" de flauta, e vocais falados e com um ar bem gutural, segue, após os vocais voltam a ser cantados. Nada de muito especial na verdade atéos 2:20, com um refrão que vai ser ouvido novamente muito mais tarde. A esperiência sônica vai continuando, com algumas "voadeiras" de sax também, e o refrão ótimo. Uma parte mais pesada segue, que leva ao final dessa faixa.

A segunda parte de Tarantism é bem superior. Abre com um excelente solo de guitarra e uma base rítmica fenomenal, num clima Rush. Os vocais semi-cantados de Cedric soam muito legais sobre o riff rushiano do baixo, com sons de orquestra ao fundo. Tem uns vocais que lembram a banda alemã CAN. Caótico, mas excelente. Tudo segue até um break super-psicodélico, com piano e efeitos "voadores" de guitarra, após isso o peso volta com um solo fodástico de guitarra vocais igualmente fodásticos, mais tarde sussurrados. A coisa "derrete" um pouco mas segue perfeitamente na próxima parte.

A primeira parte de Plant a Nail é muito épica, com sons de orquestra tocando um riff muito bom, e os vocais frenéticos de Cedric é muito bom. (Essa parte e Day of the Baphomets são as únicas canções do tMV a usar profanidades, nesse caso, "Cumming"). Pena que essa parte é bem curta.

A segunda parte de Plant a Nail é muito confusa. Abre com um riff muito bom da guitarra, junto com um som bem legal de sintetizador e os vocais viajados de Cedric, com um solo de guitarra de Omar. Após a coisa leva uma "funkada", e os vocais voltam. Na verdade não vejo essa parte muito especial. Tem uns sussurros, uns efeitos estranhos e umas coisas esquesitas desse tipo, que soam bem irritantes e se, sentido. Um solo de órgão bem caótico mas legalzinho, e retorna os vocais de Cedric, após sussurrados. O som do baixo fica muito alto (perdão, mas não dá pra falar de outro jeito) , com um efeito wah bem legal (que lembra N.I.B do Black Sabbath) e uns gritos feitos com a garganta que lembram os do Roger Waters, do Pink Floyd. A coisa fica barulhenta de novo e bem sem sentido, e acaba com um silenciamento dos instrumentos.

Faminepulse é uma das coisas mais ridículas e sem sentido que eu já ouvi. Só 5 minutos direto de barulho, barulho e mais barulho, efeitos MUITO irritantes de guitarra e coisas do gênero, seguido por uma improvisação bem podre. Olha, quando pensa que a coisa não fica pior ouve só apartir de 3:48, esses gritos da guitarra são simplesmente inescutáveis.

A parte II da mesma começa com esses barulhos irritantes de guitarra, e a o papel de fazer barulhos chatos também passa para o saxofone. Mais tarde a coisa volta a se tornar um pouco mais estruturada com a volta efetiva do baixo e da bateria. O sax se torna um pouco mais normal e "ouvível", mas num jazz-punk total. Após os vocais de Cedric voltam cantando uma parte lá de Tarantism II (por isso você provavelmente notou já ter ouvido isso).

A curta mais definitiva Multiple Spouse Wounds II é o refrão da Tarantism I. Tem uma letra bem agressiva até.

Lembra do começinho acústico de Cygnus?? Aqui está de novo, mas os vocais de Cedric estão mais bonitos.

Enquanto Cassandra também tem momentos legais, não deixa de ser um labirinto/quebra-cabeça/análise combinatória de barulho, funk, jazz e dorgas, mano.Cygnus e Miranda são excelentes e magníficas. L'via e The Widow são muito boas também. Frances The Mute é um álbum que vale muito a pena ser ouvido.

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