
O
The Mars Volta é, com certeza uma das maiores bandas que já existiram. Fazendo um som completamente diferente a partir do Rock Progressivo, essa resenha é dedicada ao seu melhor, mais caótico, mais sombrio e mais denso álbum:
Frances The Mute.
Gravado em 2005, o álbum conta com a formação
Bixler-irmãos
López-
Theodore-
Gonzáles-
Alderete-
Owens, e muitas participações como
Flea, do
RHCP no trompete (!?), e o ex-RHCP
John Frusciante na guitarra.
O álbum tem uma trackist muito confusa, com divisões de canções separadas por vezes em duas faixas diferentes e (o arquivo) com muitas faixas com títulos equivocados. A tracklist oficial é a seguinte:
- Cygnus ... Vismund Cygnus (Sarcophagi/ Umbilical Syllabes/ Fascilis Descensus Averni/ Con Safo)
- The Widow
- L'Via L'Viaquez
- Miranda that Ghost Just Isn't Holy Anymore (Vade Mecum / Pour Another Icepick / Piscacis (Phra-Men-Ma) / Con Safo)
- Cassandra Gemini: Tarantism I
- Cassandra Gemini: Tarantism II
- Cassandra Gemini: Plaint a Nail in the Navel Steam I
- Cassandra Gemini: Plaint a Nail in the Navel Steam II
- Cassandra Gemini: Faminepulse I
- Cassandra Gemini: Faminepulse II/ Multiple Spouse Wounds I
- Cassandra Gemini: Multiple Spouse wounds II
- Cassandra Gemini: Sarcophagi
Um bonito e distante violão abrem
Cygnus, que logo após recebe os bonitos vocais de Cedric, e alguns efeitos de guitarra. Rapidamente um monstruoso e agressivo riff entra, junto com vocais que alternam em espanhol e em Inglês, tudo com a excelente base rítmica, bem groovy e técnica. Após um riff bem peculiar, o baixo se torna mais groovy, e um pequeno verso de
Fascilis Descensus Averni é tocado, seguido por um longo efeito. O que se segue é quase minutos de um excelente crescendo, baseado no baixo de Alderete, a bateria simples mas efetiva de Theodore, e um bom solo de guitarra de Omar, realmente excelente. A (re)entrada dos vocais de Cedric é fenomenal, aqui ele explora seu alcance perfeitamente, que casa perfeitamente com a base rítmica. Destaque para o singelo mellotron e mais ainda para a belíssima vocalização que ele faz aos 7:36. Seguido por um assombroso riff de guitarra/baixo/bateria, e uma reprise do refrão da primeira parte, onde os vocais de Cedric brilham. Um groove muito bom aparece, que aos poucos vira uma excelente viagem psicodélica onde os sombrios sintetizadores flutuam durante 3 minutos, com direito a barulhos de carros e um pulso eletrônico muito legal
. The Widow é a mais curta do álbum, e a mais comercial. Com um arranjo muito bonito de violão, baixo sem trastes, bateria e teclas, e principalmente os belíssimos vocais de Cedric. O refrão é muito lindo, com a entrada da guitarra. Arranjo bem simples, mas muito bom, com direito a trompetes, e um solo fenomenal de guitarra de Omar, mas claramente, o mais bonito da música é o vocal. Após o último refrão, a música morre, no entanto. 2 minutos e meio de barulhos sem sentido, efeitos muito irritantes de órgão e sintetizadores, que diferentemente do final de
Cygnus, não merecem ser ouvidos.
L'Via começa com uma linha de bateria creio eu que gravada ao contrário. Essa canção é muito interessante, porque como
Cygnus, os vocais pulam de Inglês para Espanhol. Uma canção bem groovy também com uma fortíssima influência de música latina. Os vocais de Cedric muito bons por sinal. Há passagens explicitamente latinas, com percussão, piano, e sons de guitarra que lembram mosquitos. Destaque também para o primeiro solo de guitarra, bastante explosivo, tocado por Frusciante. Embora eu não goste de música caribenha, os ritmos de salsa ficaram muito legais. Porém, nessa música há o pior solo de guitarra de todos os tempos, feito também por Frusciante, que introduz muito bem uma seção bem mais densa da música, mas bastante boa. O defeito é que o final da música é muito longo, uns 5 minutos mais ou menos, e é baseado na seção de salsa. Os vocais de Cedric ganham um ar bem sombrio com distorção. Há um solo de piano bem interessante, que leva há um solo de guitarra bem legal, com um som à la
Peaches En Regalia, e outro solo de piano, e outro solo de guitarra. O finalzinho conta com os vocais de Cedric com muita distorção, ganhando um ar demoníaco, e termina com sapos (!?).
Uma longa e fantasmagórica intodução com o som de sapos caribenhos, e sintetizadores, e os vocais quase árabes de Cedric introduzem
Miranda. Uma introdução muito boa, altamente psicodélica e cheia de efeitos estranhos. Destaque para a explosão sonora que ocorre aos 4:17, com o som muito bonito dos trompetes sobre uma guitarra dedilhada. Os vocais de Cedric aqui são bem delicados, onde ele explora seus timbres agudos muito bem. Detalhe que não há bateria. O refrão da canção compete com o de
The Widow para o título de mais bonito. Tudo prossegue delicadamente até uma passagem com bateria eletrônica, guitarra e trompete, que leva a uma versão mais pesada e mais bela ainda do refrão.Um Mellotron simples recebe aos poucos a guitarra barrettiana de Omar e o Trompete de Flea. Atmosférica ao extremo. Após um alto ruído de estática, o groove de
Con Safo (parte antes do final eletrônico de
Cygnus) reaparece, mas aqui ganha um efeito bem mais assustador.
A confusão do álbum começa aqui. Em todos os sentidos. As primeiras partes de
Cassandra Gemini foram tituladas como as partes finais de
Miranda, porém todas as partes da última estão na mesma faixa. Ao mesmo tempo,
Cassandra é provavelmente a suíte mais confusa, caótica e barulhenta do rock progressivo. Tem bons momentos, mas é bem cansativa.
A primeira parte de
Tarantism começa com um vocal "bêbado" de Cedric junto com uma base rítmica confusa e barulhenta, junto com gritos orgásmicos de Cedric. Uma parte menos caótica, com "voadeiras" de flauta, e vocais falados e com um ar bem gutural, segue, após os vocais voltam a ser cantados. Nada de muito especial na verdade atéos 2:20, com um refrão que vai ser ouvido novamente muito mais tarde. A esperiência sônica vai continuando, com algumas "voadeiras" de sax também, e o refrão ótimo. Uma parte mais pesada segue, que leva ao final dessa faixa.
A segunda parte de
Tarantism é bem superior. Abre com um excelente solo de guitarra e uma base rítmica fenomenal, num clima
Rush. Os vocais semi-cantados de Cedric soam muito legais sobre o riff rushiano do baixo, com sons de orquestra ao fundo. Tem uns vocais que lembram a banda alemã
CAN. Caótico, mas excelente. Tudo segue até um break super-psicodélico, com piano e efeitos "voadores" de guitarra, após isso o peso volta com um solo fodástico de guitarra vocais igualmente fodásticos, mais tarde sussurrados. A coisa "derrete" um pouco mas segue perfeitamente na próxima parte.
A primeira parte de
Plant a Nail é muito épica, com sons de orquestra tocando um riff muito bom, e os vocais frenéticos de Cedric é muito bom. (Essa parte e
Day of the Baphomets são as únicas canções do tMV a usar profanidades, nesse caso, "Cumming"). Pena que essa parte é bem curta.
A segunda parte de
Plant a Nail é muito confusa. Abre com um riff muito bom da guitarra, junto com um som bem legal de sintetizador e os vocais viajados de Cedric, com um solo de guitarra de Omar. Após a coisa leva uma "funkada", e os vocais voltam. Na verdade não vejo essa parte muito especial. Tem uns sussurros, uns efeitos estranhos e umas coisas esquesitas desse tipo, que soam bem irritantes e se, sentido. Um solo de órgão bem caótico mas legalzinho, e retorna os vocais de Cedric, após sussurrados. O som do baixo fica muito alto (perdão, mas não dá pra falar de outro jeito) , com um efeito wah bem legal (que lembra
N.I.B do
Black Sabbath) e uns gritos feitos com a garganta que lembram os do Roger Waters, do
Pink Floyd. A coisa fica barulhenta de novo e bem sem sentido, e acaba com um silenciamento dos instrumentos.
Faminepulse é uma das coisas mais ridículas e sem sentido que eu já ouvi. Só 5 minutos direto de barulho, barulho e mais barulho, efeitos MUITO irritantes de guitarra e coisas do gênero, seguido por uma improvisação bem podre. Olha, quando pensa que a coisa não fica pior ouve só apartir de 3:48, esses gritos da guitarra são simplesmente inescutáveis.
A parte II da mesma começa com esses barulhos irritantes de guitarra, e a o papel de fazer barulhos chatos também passa para o saxofone. Mais tarde a coisa volta a se tornar um pouco mais estruturada com a volta efetiva do baixo e da bateria. O sax se torna um pouco mais normal e "ouvível", mas num jazz-punk total. Após os vocais de Cedric voltam cantando uma parte lá de Tarantism II (por isso você provavelmente notou já ter ouvido isso).
A curta mais definitiva
Multiple Spouse Wounds II é o refrão da
Tarantism I. Tem uma letra bem agressiva até.
Lembra do começinho acústico de
Cygnus?? Aqui está de novo, mas os vocais de Cedric estão mais bonitos.
Enquanto
Cassandra também tem momentos legais, não deixa de ser um labirinto/quebra-cabeça/análise combinatória de barulho, funk, jazz e dorgas, mano.
Cygnus e
Miranda são excelentes e magníficas.
L'via e
The Widow são muito boas também. Frances The Mute é um álbum que vale muito a pena ser ouvido.
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