A postagem de hoje será dedicada a uma das maiores bandas de rock progressivo da história e uma das suas maiores obras: a banda inglesa Yes e seu álbum Relayer, de 1974.A formação clássica do Yes conta com (da esquerda para a direita) Rick Wakeman, nos teclados, o vocalista Jon Anderson, Alan White na bateria, o guitarrista Steve Howe e o baixista Chris Squire. Relayer é o sétimo álbum da banda, e marca a saída do tecladista Rick Wakeman, substituído por Patrick Moraz.
O Relayer segue uma estrutura similar a Close to the Edge, de 1972: Um épico imponente ocupando um lado do LP e duas canções menores no outro lado.
O épico imponente que estamos falando é The Gates of Delirium, 22 minutos de explêndida musicidade por parte de todos os membros. Os primeiros 2 minutos da canção constituem em melodias complexas, principalmente na guitarra de Howe. Os teclados de Moraz dão um toque bom, apesar de sua técnica ser bastante inferior a de Wakeman. Outro toque interessante é o Hi-Hat (ou chimbal) extremamente rápido de White. O baixo de Squire é forte e seguro. Podemos ouvir até algumas vocalizações de Anderson. A música acalma, e então Jon entra cantando com um violão, voltando rapidamente com os instrumentos tocando complexamente. Jon Anderson certamente é um dos maiores vocalistas de todos os tempos, porém acho que a sua voz não combina muito bem com as canções mais rockeiras do Yes. A melodia é consideravelmente agressiva aqui, já que estamos falando do Yes.
Todos os instrumentos ganham destaque. Exemplo, aos 4:51, enquanto Howe toca uma melodia muito boa na guitarra, note a grandiosa passagem rítmica de Squire e White. Os vocais voltam, junto com os teclados de Moraz. Outra curiosidade: Jon Anderson é conhecido por suas letras espirituais, comumente falando de coisas como Paz, Luz, Sol, coisas até meio hippies; aqui temos a sua letra mais agressiva.
The spirit sings in crashing tones, we gain the battle drum
Our cries will shrill, the air will moan and crash into the dawn
The pen won't stay the demon's wings
The hour approaches, pounding out the Devil's sermon."
Junto com o crescendo de Echoes, do Pink Floyd, esse é o momento mais épico da história do Rock Progressivo. A deliciosa melodia dos sintetizadores, as guitarras de Howe e Anderson (sim, ele faz trabalho de guitarra aqui), o excelente baixo de Squire, a bateria de White, tudo é excelente, bem colocado e bem elaborado. Com a entrada da Lap Steel Guitar de Howe, tudo torna-se mais sublime ainda. As notas agudas da Lap Steel me arrepiam. A coisa vai acalmando, até que tudo acaba com o som de Mellotrons.
Porém, a canção não terminou, mas é como se outra canção começasse. A Lap Steel volta mais tarde, tocando uma belíssima melodia. Essa parte da canção chama-se Soon. A voz celestial de Anderson entra cantando uma letra poética e completamente diferente da Insanidade do resto da canção.
Sound Chaser, que abre o lado B do vinil, é uma canção bastante experimental e jazzística. A bateria rápida e virtuosa de White junto com um Piano Elétrico e o baixo de Squire abrem a canção, para mais tarde entrar a guitarra ácida de Howe, e mais tarde Anderson, Squire e Howe cantando em harmonia. Muito boa essa parte. A ponte que liga a estrofes tem uma linha de baixo simplesmente incrível. A próxima parte, bastante experimental, o que ganha destaque é o baixo monstruoso de Squire tocando uma linha quase impossível. O que segue é um solo "à capella" de guitarra, que me lembra de certa forma Interstellar Overdrive, do Pink Floyd. A guitarra de Howe mostra-se bem agressiva aqui, mas consegue ser bem melódica algumas vezes.Há uma passagem bastante catártica, que liga á uma parte bastante calma, onde os vocais de anderson voltam, com Alguns toques de guitarra e Mellotron.
Os pianos elétricos voltam, junto com o baixo rápido de Squire, que seguem a uma parte meio blues, meio Jazz, com uma Slide Guitar por Howe, muito boa, a canção acelera, sempre com o baixo de Squire chamando a atenção, e desacelera de novo. Após um "Cha Cha Cha Cha Cha" bastante curioso, Moraz faz um ótimo solo de Synth. Após agitados e complexos riffs, o "Cha Cha Cha" volta e finaliza a canção.
To be Over, começa com a Lap Steel de Howe e um Sitar, tocando melodias bonitas e calmas. Apó o baixo de Squire entra com um efeito Wah, e após os vocais, calmos e bonitos de Anderson, e a bateria. A Lap Steel faz riffs bastante bonitos e agradáveis. Após a Telecaster de Howe volta fazendo um solo bem interessante. A canção tem um leve clima country. A Telecaster toca o tema da LAp Steel, com um bonito som de Mellotron ao fundo. Os vocais, voltam mais tarde, sempre com sua beleza habitual. Moraz faz um solo bem legal de Synth. Após o sitar volta, tocando o tema da Lap Steel, com vocais em harmonia ao fundo.
Relayer é um álbum sensacional, onde todos os membros são excelentes virtuosos e todas as músicas ganham destaque. Álbum que, mesmo sem Wakeman, vale ouvir do início ao fim.
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